Plataforma agiliza criação de Portais - 18/12/2007 Fazer carreira nos EUA, dentro da maior empresa de software do planeta, com a perspectiva de um futuro garantido; ou, abrir o próprio negócio no Brasil, oferecendo um novo produto, com a incerteza da aceitação do mercado. Diante destas opções, alguém escolheria a segunda? O carioca André Matos, a baiana Gilene Oliveira e o indiano Kishnan Nedungadi escolheram.
Ou melhor, os três trocaram em 2001 a carreira na Microsoft, onde já trabalhavam há mais de dois anos, para fundarem, no Rio de Janeiro, a Lumis, empresa especializada em tecnologias de portal, que flexibilizam e facilitam a construção de iniciativas Web.
A idéia e o desejo de fundar uma empresa de tecnologia nasceram durante uma viagem de férias ao Canadá. O problema era obter o investimento necessário para iniciar o negócio nos EUA. "Acreditamos que no Brasil poderíamos criar uma tecnologia de classe mundial, disponibilizando um investimento muito menor. Além disso, o mercado nacional se apresentava receptivo: a demanda era grande, não havia nenhuma empresa com expertise em plataforma de portais e tínhamos o grande incentivo de começar na Incubadora de Empresas do Instituto Gênesis, vinculada à PUC-Rio", conta André Matos, diretor executivo da Lumis, e ex-aluno da Instituição.
BOLHA. Contudo, a bolha da internet acabara de estourar e poucos arriscavam qualquer tipo de investimento na área. Vender um produto sem referências foi uma tarefa árdua. "Nessa época, o mercado de portais era imaturo e pouco explorado no País. Não havia parâmetros de consulta. A dúvida era se o cliente visualizaria os benefícios da tecnologia de Portal como uma solução para determinado problema em sua empresa. O cliente precisava ser visionário e acreditar no know-how dos sócios fundadores", lembra Kishnan Nedungadi, diretor de Tecnologias.
"Grandes e médias empresas têm demandas muito fortes em relação a um portal Web, com muitas informações e clientes, tanto externos quanto internos. São sistemas complexos para serem gerenciados, com diversos níveis de acesso e gestão de informações distribuídas por diversos canais. É inviável que uma pessoa só gerencie tudo. É preciso um sistema para garantir a distribuição, mantendo uma unidade que chega até ao design do portal", destaca Matos.
A Lachmann (grupo formado por cinco empresas que atuam nas áreas de logística, transporte, importação e exportação) apostou no grupo. Foi a primeira organização a utilizar o produto desenvolvido pela Lumis, aceitando usar uma ferramenta que ainda não havia sido implantada em outra empresa. Hoje, a Lumis tem clientes do porte da Coca-Cola, Petrobras, Eletrobrás, Oi, Ministério da Justiça, CIEE-Rio e IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), órgão que funciona como grupo de referência em estudos econômicos para a Fundação Getúlio Vargas, entre outros.
Para Gilene, diretora de Operações, a grande sacada da empresa foi perceber que era possível criar uma tecnologia que ao mesmo tempo fosse fácil de usar e atendesse as demandas de grandes empresas, que tinham requisitos complexos para seus portais. "Percebemos que o que estava entrando no mercado de soluções para atender a esse perfil de clientes eram soluções muito complexas”.
FERRAMENTAS. Atualmente, a Lumis comercializa duas soluções: a Lumis Portal Suite, para plataforma Microsoft e a Lumis Portal, para Java. As soluções são ferramentas em cima da qual o cliente pode desenvolver seu portal configurando todas as aplicações, segundo seus requisitos. "Configurando as regras no software de navegação, o cliente controla a publicação de informação, agenda campanhas e diversas outras funcionalidades, sempre de modo rápido e previsível", diz Matos.
Para o IBRE, por exemplo, a Lumis está disponibilizando ferramentas com as quais, além o portal, a equipe do IBRE reformulará todo o seu site institucional e o FGV Dados com o produto licenciado. "A plataforma de Portal Lumis nos permitirá descentralizar a publicação de conteúdo e a gestão da estrutura desses portais. Atualmente, boa parte das áreas internas do instituto são dependentes dos colaboradores de TI para publicar informações ou realizar pequenos ajustes na estrutura desses projetos, o que dificulta significativamente o trabalho", informa o coordenador de TI do Ibre, Paulo Cezar Stockinger.
A Lumis licencia o software e, em geral, o cliente opta por três tipos de modelo para a montagem do seu portal. O primeiro, mais comum, é a contratação de parceiros desenvolvedores ou integradores de soluções Web, capacitados pela Lumis. Outra opção é o cliente, geralmente os de maior porte, usar a própria equipe interna, que também conta com capacitação da Lumis. Ou, finalmente, a Lumis pode se responsabilizar por todo o desenvolvimento. "Mas este não é o mais comum. Nosso modelo de negócios é baseado nas parcerias", diz Matos.
Fonte: Jornal do Commercio RJ - 11/12/2007