Apagão na Informática - 19/10/2008 Um terço das empresas tem até oito anos
Quase 30% foram criadas entre 2000 e 2007, mas mercado de trabalho não acompanhou crescimento
Do universo de empresas do setor de TI no Rio, 29,1% foram criadas de 2000 a 2007 e 47,5% na década de 90, segundo a pesquisa da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet (Assespro-RJ). Mas, se o setor vinha crescendo tanto, por que faltam profissionais qualificados?
As empresas ouvidas no levantamento culparam as universidades pela baixa qualidade do ensino: 29,8% apontaram essa razão para explicar por que encontram dificuldade nas contratações.
Já outros 22,6% disseram que faltam cursos de especialização e 12,1%, que falta interesse dos estudantes em se aperfeiçoar. Aliás, o comprometimento com o trabalho é a segunda característica profissional mais valorizada por essas empresas, com 11,9%. Em primeiro, aparece o conhecimento técnico, com 19,6%.
Dificuldade aumenta quando se exige comprometimento
André Matos, diretor-executivo da Lumis, que desenvolve portais corporativos, diz que não é fácil encontrar profissionais com as duas habilidades.
- Já é difícil achar quem tenha qualificação técnica. E, quando se busca outras competências, como comprometimento, a dificuldade aumenta.
Segundo ele, após a contratação, a empresa ainda tem a missão de não perder o funcionário para a concorrência. Por isso, além de um bom salário, é preciso mostrar que existe um ambiente de trabalho agradável e oportunidade de crescimento.
Raquel Zanaetti, coordenadora de recrutamento e seleção da consultoria de RH Personal Service, diz que reduzir o turn-over, índice de rotatividade de pessoal, é um dos principais desafios das empresas do setor. Ela fala com experiência própria, já que a Personal Service tem uma equipe de TI.
- O mercado de trabalho nessa área está muito aquecido. A maioria dos bons profissionais está empregado e recebendo muito bem. As companhias estão aprimorando processos, criando programas personalizados e investindo fortemente em segurança da informação, o que aumenta a demanda por esses serviços.
Na falta de profissionais prontos, a Lumis passou a desenvolver cada vez mais a “prata da casa”, delegando responsabilidades e cargos de lideranças a profissionais que começam como estagiários.
Para André Matos, as universidades não estão conseguindo formar mão-de-obra na velocidade que o mercado precisa.
- Muitos dos que saem da faculdade não têm a base necessária – afirma.
O professor José Ferreira de Rezende, coordenador do curso de engenharia da computação e da informação da Escola Politécnica da UFRJ, considera que o problema vai além do ensino superior.
- A qualidade depende muito da formação no ensino fundamental e médio. Universidades de tradição são mais rigorosas em seus processos de seleção, mas são em menor número. Além disso, existe um antagonismo entre o que as empresas esperam e o que as universidades consideram importante – diz Rezende, ressaltando que a UFRJ oferece uma formação sólida em conhecimentos básicos, que permite ao aluno adquirir com facilidade a parte específica.
De acordo com o site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), existem 22 cursos ligados à computação no Rio, mas apenas quatro são de instituições públicas. Em informática, são 19 cursos, sendo 17 privados. Em TI, só há graduação em cursos pagos.
O PROFISSIONAL DESEJADO
• NICHOS: A pesquisa da Assespro aponta que a linguagem de programação é o conhecimento mais valorizado no mercado, com 23,6% de preferências das empresas. Portanto, esse é um caminho para quem quer aumentar a sua empregabilidade no meio. Depois, aparecem os conhecimentos sobre banco de dados, com 18,2%, e desenvolvimento de web, com 13,9%.
• EXPERIÊNCIAS: O levantamento mostra que 70% das empresas admitem que experiência profissional é importante na hora da contratação. Por esse motivo, quem já fez algum estágio larga na frente.
• INGLÊS: Apenas 38,1% das empresas responderam que a maioria dos seus funcionários domina a língua inglesa, imprescindível para o trabalho. Já o espanhol não é tão relevante assim. Somente 7,6% das empresas têm profissionais com domínio do idioma.
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Fonte: O Globo - 19/10/2008