Matemática em Rede - 18/01/2006 Estar em comunidade é uma necessidade antiga do ser humano, mas a tecnologia tem dado um bom empurrão.
Por Rogério Godinho

Em uma prova de que redes sociais e comunidades virtuais não servem apenas para entreter adolescentes, essas ferramentas estão cada vez mais sendo usadas para disseminar conhecimentos e integrar equipes.
Os professores de matemática da rede pública de Goiás estão descobrindo essas vantagens. O mérito é da Fundação Roberto Marinho, que criou o projeto "Multicurso Matemática", que tem o objetivo de apoiar professores e alunos de escolas públicas do ensino médio na aprendizagem da matemática. Na primeira semana de setembro, o usuário do site se deparava com 25 mensagens em um tópico que discutia conceitos de currículos escolares. Em outro, trocavam exemplos de problemas para serem usados em aula. Nos dois, era comum encontrar mensagens postadas a qualquer, tarde da noite ou mesmo de madrugada.
O projeto acaba de completar um ano desde o primeiro grupo e está sendo implementado no Estado de Goiás inteiro. O interesse dos usuários por trocar mensagens a qualquer hora é um bom indício de sucesso, assim como os mais de 54 mil acessos por mês e os 1.200 professores participando. Muitos nunca haviam acessado a internet até conhecerem o "Multicurso" e a maior parte não tinha a navegação como hábito constante. Hoje, tem acesso instantaneamente a documentos sobre educação e matemática. No total são três mil educadores - entre professores do ensino médio, pedagogos e diretores de 590 escolas da rede estadual de Goiás - e, indiretamente, 260 mil alunos envolvidos.
O interesse e a atração por escrever e usar a internet como ferramenta de relacionamento trouxe novas possibilidades para os professores de Goiás. Eles trocam ideias nas salas de bate-papo e cada um deles criou seu próprio blog por meio do portal. Ali, os professores falam da participação em seminários de educação, opinam sobre temas polémicos do ambiente escolar ou simplesmente escrevem desabafos. "Antes da implantação, o professor de matemática era um solitário", relata Luiz Carlos Ribeiro de Brito, professor do município de Jussara, oeste de Goiás.
Uma pesquisa recente indicou que 93% dos professores e 95,4% dos coordenadores pedagógicos e diretores acreditam que o "Multicurso" criou um ambiente de trabalho mais cooperativo. E que 77,4% dos alunos acham que o professor passou a realizar a avaliação de maneira a estimulá-los a aprender mais.
O portal goiano foi criado em apenas três semanas com uma ferramenta fornecida pela carioca Lumis. Há quatro anos no mercado, a empresa de software tem entre seus fundadores ex-funcionários da equipe de desenvolvimento da Microsoft nos EUA. De volta ao Brasil, desenvolveram a primeira versão do produto na Incubadora de Empresas do Instituto Génesis da PUC-Rio. "A facilidade na reutilização dos componentes foi um dos fatores mais importantes na escolha", explica Gustavo Bastos, gerente de TI da Fundação Roberto Marinho. Ele conta que a fundação é formada por professores, pedagogos e comunicadores com pouco conhecimento em TI e, muitas vezes, os projetos mudam na última hora, o que torna a flexibilidade da ferramenta importante. Há boas perspectivas para produtos como os da Lumis. "A educação do futuro será assim, atenta aos ritmos pessoais, sem perda de tempo, mais personalizada, hipertextual (vários currículos se desenvolvendo numa mesma turma) e interativa", explica Andrea Ramal, consultora do projeto e doutora em educação. Ela recorda o que dizia Paulo Freire: "Ninguém educa ninguém, ninguém é educado por ninguém: as pessoas se educam umas às outras, em comunhão".
Fonte: B2B Magazine