Prospecção e Fidelidade - Recursos de TI permitem que seguradoras se diferenciem no mercado - 01/12/2008 PROSPECÇÃO E FIDELIDADE
Prospecção e Fidelidade - Recursos de TI permitem que seguradoras se diferenciem no mercado
TI INSIDE – dez/2008 | nº 42 | Ano 4
O segmento de seguros segue os passos dos bancos, seus primos ricos da área financeira, e passa a focar os investimentos em TI para melhorar seus resultados. Aportes em web outsourcing e integração de plataformas crescem segundo especialistas, a tendência é de alta dos investimentos. Estimativas de mercado indicam que as seguradoras ocuparão, no curto prazo, a segunda colocação no ranking dos maiores investidores em TI do País, perdendo apenas para o segmento bancário, que deve realizar aporte de aproximadamente 16, 5 bilhões de reais neste ano, se mantendo o maior consumidor de insumos e serviços de TI.
A previsão é que o setor de seguros invista algo em torno de 1,4 bilhão de reais neste ano, o que representa uma expansão de 25% em relação aos gastos de 1,12 bilhão de reais em 2007. Em média as seguradoras investiram 2% do seu faturamento em TI, percentual que não inclui os aportes feitos pelos segmentos de saúde e capitalização e, no caso de previdência privada, só engloba a carteira de VGBL.
Para 2009, mesmo com a crise financeira, a estimativa é de que essa cifra se mantenha em crescimento de dois dígitos percentuais. Nem a crise, por enquanto, atinge as pretensões do mercado de seguros de investir forte em tecnologia, e é possível que os valores passem a representar 2,5% do total dos prêmios pagos, estimulado principalmente pelos desafios e necessidades que as empresas enfrentarão no próximo ano.
RADAR
A aceleração dos processos, a partir da automatização proposta pelos sistemas, deverá ser uma constante no setor, em especial porque as empresas precisam ser mais ágeis no atendimento dos novos padrões de relatórios contábeis e financeiros, estabelecidos pelo International Financial Reporting Stands (IFRS) e fixados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), válidos a partir de 2010. Além disso, as mudanças implantadas no processo brasileiro de resseguros, em abril deste ano – as quais decretaram o fim do monopólio do IRB (instituto de Resseguros do Brasil) e abriram a possibilidade de as seguradoras negociarem livremente suas carteiras de seguros, será outro fator de impulsão para os aportes das seguradoras em TI.
Isso porque como a abertura do mercado de seguros representa a possibilidade das seguradoras brasileiras passarem a contar com parceiros e recursos globais para a ampliação e o aperfeiçoamento de seus serviços, esse movimento exigirá muito mais das estruturas de TI utilizadas, o quê necessariamente passa pela ampliação da infra-estrutura, incluindo a integração dos sistemas de gestão e controle com os novos parceiros, assim como a substituição das soluções desenvolvidas internamente.
A maior necessidade tem origem nos serviços on-line, desenhados para facilitar a comunicação das seguradoras com os seus parceiros e agilizar o atendimento ao cliente – a partir de serviços como extrato on-line, 2º via da fatura e sinistro pela web -, além de alinhar a oferta de serviços ao conceito home banking. Dentre os principais alvos de investimentos, a estimativa é de que os gastos com software representem cerca 50%dos gastos das seguradoras com TI, hardware responderá por 30% e o restante telecomunicações.
A partir dos investimentos em TI, as seguradoras visam três resultados: eficiência operacional, controle dos processos e redução de custos. Itens apontados por 60%dos principais executivos das 25 maiores seguradoras do País, de acordo com pesquisa realizada pela Accenture e pela Rating de Seguros, com o objetivo de avaliar as perspectivas e tendências do mercado de seguros brasileiro até 2015.
Dentre as principais áreas que necessitam de aporte em TI, segundo o levantamento, estão a de precificação e subscrição, citado em 60% das respostas; gestão de sinistros, com 58%; e, serviços ao cliente, apontado por 48%dos executivos. O segmento de seguros de automóveis foi relatado como o setor em que os investimentos de TI mais contribuirão para o desenvolvimento de um diferencial competitivo (crença citada por 64% dos executivos), seguido pela área de saúde (com 52%das respostas).
PACOTES
O cenário representa uma grande oportunidade para as empresas de tecnologia da informação. Principalmente porque a previsão global, segundo o Gartner, é que o setor de seguros chegue a 2010 com investimento de cerca de 8,5 bilhões de dólares em TI.
Especialistas da área apontam que a geração dos processos mais ágeis será fundamental para os negócios das seguradoras que quiserem obter bons resultados diante das tendências de mercado para os próximos anos.
Entre as possibilidades de alcançar essa eficiência, o diretor comercial da BRQ, Fabiano Funari, aponta a integração das plataformas, sistemas e processos de TI, recursos fundamentais à superação de desafios primordiais para o setor como agilidade no desenvolvimento de novos produtos e aumento da capacidade de atendimento. ”Não é possível alcançar sucesso nestes desafios se a evolução da TI da empresa não acompanhar a do mercado”, afirma o executivo.
Uma das saídas são os investimentos em canais de relacionamento via web, tanto para aumentar a velocidade da divulgação dos produtos como para aprimorar e agilizar a comunicação com os novos canais de venda, grande parte dominado por corretoras, bancos e varejo. Segundo Funari, as seguradoras têm foco muito grande nos canais de distribuição e a web é muito importante e abrangente, sendo o principal veículo da sociedade atual.
Além disso, ressalta o executivo, a internet permite que a seguradora leve seus produtos com maior facilidade no trânsito de informações com os clientes, gerando mais facilidade na conclusão de negócios. ”Por esse motivo, as seguradoras devem investir mais em suas plataformas de web, agregando novos serviços e ficando muito próxima do internet banking. Estes canais são as formas das seguradoras chegarem aos novos consumidores, marcados pela era da internet, principalmente os jovens”, observa Funari, ao lembrar que a web também é uma plataforma de baixo custo.
O diretor da vertical financeira da Stefanini, Ailtom Nascimento, compartilha da mesma opinião e complementa que a internet também permite uma melhor abordagem e aumenta a velocidade com a qual o produto chega ao mercado. Ele lembra que as seguradoras já têm algumas aplicações em web, porém a comunicação entre os sistemas da empresa pela internet não está disponível aos corretores, o que dificulta a comunicação entre os canais. Assim, na visão de Nascimento, as seguradoras devem investir nessa integração para fazer o canal da web gerar um retorno maior.
PELO TELEFONE
“As seguradoras têm de procurar distribuir com capilaridade e velocidade. Com isso, se vende mais e com custo mais baixo”, diz Nascimento. O diretor da Stefanini também lembra que o celular é outro importante canal de massa que pode e deve ser explorado pelas seguradoras que querem diferenciar no mercado e ganhar competitividade. ”Existem várias maneiras de entregar a proposta a um cliente pelo celular. Uma delas é o SMS. A grande vantagem da mobilidade é levar o serviço ao cliente onde quer que ele esteja. É uma garantia de acessá-lo, além de tornar a decisão dele mais fácil e rápida”, completa.
RÉDEAS
Na visão da diretora do segmento financeiro da COM Braxis, Patrícia Freitas, o mais importante para uma seguradora é ter o controle dos gastos com TI e saber que rumo dar aos investimentos. Algo que passa por uma governança de TI baseada em três fundamentos: gerir e proteger o valor de TI; gerir o desenvolvimento operacional; e otimizar a comunicação com a organização e o seu entorno.
Para isso, a executiva acredita que as seguradoras devem investir em Business Process Outsourcing (BPO), Business Process Management (BPM) e também terceirizar áreas que não façam parte do objetivo do negócio, como data Center e a infra-estrutura de TI. ”As seguradoras têm de enfocar a sua atuação no desenvolvimento de produtos e buscar otimizar a TI por meio da terceirização. Esse cenário está começando a mudar e já sentimos diversas demandas pelo outsourcing das empresas. Elas já estão percebendo como esse investimento gera valor ao negócio e como facilita a sua atuação no mercado”, opina Patrícia. A integração e a padronização das plataformas também devem ser levadas em conta pelas seguradoras para enfrentar os novos desafios do mercado. De acordo com Mauricio Ghetler, sócio-diretor da consultoria 14Pro, elas devem fazer mais com menos e buscar melhorias operacionais contínuas por meio do processamento interno e de sistemas, aplicando os processos em um curto espaço de tempo.
Com isso, para melhorar a eficiência operacional, as seguradoras deveriam convergir plataformas e padrões para tecnologias mais novas. Entre as formas disponíveis no mercado para concluir essa integração, a diretoria da COM Braxis aponta que a Arquitetura Orientada a Serviços (SOA) deveria ter uma opção analisada pelas seguradoras. ”Elas precisam integrar todas as plataformas e processos, gerando um modelo gerenciado de integração. SOA é uma das melhores saídas para se fazer isso”, aponta Ghetler.
Segundo ele, muitos sistemas diferentes dificultam o manejo e a gerência dos processos, e que a integração das plataformas tem de ser padronizada entre as empresas, para interligar não só os sistemas internos, mas os de seus parceiros e clientes. ”Com isso, as operações serão otimizadas”.
Entre as seguradoras o movimento neste sentido já começa a ocorrer. A Bradesco Seguros está investindo no ambiente SOA, enquanto que a Porto Seguros está em treinamento para implementar a arquitetura, os dois projetos realizados pela Sensedia.
Em outra ação, a Sul América Seguros está investindo forte em um portal de serviços na web, construindo sobre a plataforma Lumis. O Website integra as iniciativas de extranet para os corretores, além do institucional da empresa, englobando todos os produtos.
Roberto Ciccone, executivo da área de consultoria da IBM para seguros, cita uma outra tendência mundial de as empresas se especializarem nos seus diferenciais dentro de casa e terceirizarem o que não é o core business, cenário que começa a ser observado no Brasil. A partir de um estudo que fala sobre as tendências para o mercado de seguradoras para 2020, o executivo aponta que o sucesso futuro virá da exploração de novos modelos. Assim, em 2020, o segmento de mercado será configurado por quatro mega tendências que exigem respostas inovadoras: consumidores ativos e informados através de grupos demográficos recompensam operadores não tradicionais; a tecnologia virtualiza a cadeia de valores e diminui as barreiras de entrada; os produtos de seguros correntes são dinâmicos e apresentam um desempenho mais consistente; e, por fim, a coordenação regulatória e os padrões do setor ganham escala global.
Diante disso, o executivo aponta que as seguradoras devem utilizar os componentes de negócios e serviços da web para escapar dos modelos antigos e criar “Empreendimentos Especializados”. “Isso passa por investimentos em virtualização, serviços, outsourcing e infra-estrutura”, comenta Ciccone. Segundo o estudo, para ter sucesso, as empresas precisarão instalar redes de alta velocidade onipresentes e que suporte compartilhamento de informações e conhecimentos necessários para competir, já que disputam o conhecimento do produto entre canais de distribuição, profissionais dedicados ao serviço e consumidores.
Além disso, serão necessários investimentos em “deep computing”, que habilitarão as funções administrativas de apoio em 2020, como precificação, modelagem da simulação de negócios, modelagem de catástrofes e calculo quase em tempo real do valor de vida. Outro fator preponderante para o sucesso das seguradoras em 2020, segundo o estudo, são as necessidades de sistemas inteligentes – que buscam padrões em dados estruturados e não-estruturados para aprimorar o marketing; a análise de conformidade; e a prevenção contra fraudes.
“Assim, o alto grau de flexibilidade necessário em 2020 será conquistado a partir dos padrões do mercado, os sistemas abertos, as comunicações de dados sem fio, o desenvolvimento avançado de TI e pelo maior uso de sistemas inteligentes”, conclui Ciccone.
Acesse a matéria original em: TI INSIDE DEZ 2008.pdf
Fonte: TI INSIDE – dez/2008 | nº 42 | Ano 4