Ferramentas de Integração - Missão (quase) Impossível - 22/11/2005
Uma das empresas de TI que mais investem em ferramentas de integração é a IBM, reivindica Paschoal D'Áuria, gerente de vendas do Websphere (veja à página 94), mas há outras estrelas nesse firmamento. A Sterling Software, por exemplo, que, segundo Marcelo de Almeida Ramos, diretor-geral da subsidiária brasileira e vice-presidente para a América do Sul, atribui o sucesso da marca no segmento representado pelas ferramentas de integração ao fato de ter sido responsável pela disseminação no continente sul-americano do conceito de MEC (multi-enterprise collaboration), que prega a venda do software-serviço com o respaldo da Hitachi, elevada, em junho de 2005, à categoria de integradora do GENTRAN Integration Suite, a empresa agora planeja expandir a penetração na Ásia, por intermédio da parceira japonesa. No ano passado, faturou US$ 15 milhões - crescimento de 30%, após recuo de igual nível no ano anterior. No Brasil, segundo Ramos, a receita foi de pouco mais de US$ 3 milhões.
Muito associadas ao conceito de governança de TI - que pretende prover a disponibilidade dos sistemas, integridade das informações, uso pleno dos recursos, para evitar desperdícios e economia de custos - as ferramentas para gestão da infra-estrutura estão na moda. A maioria foi desenhada segundo o figurino ditado pela Lei Sarbanes-Oxley e outras que, igualmente, obrigam as sociedades anônimas a observar a eficiência na gestão dos recursos, a fim de evitar o desperdício e defender a interesse dos acionistas.
Nesse contexto é que a norte-americana Cyclades não para de crescer. Pesquisa realizada em 2005 pela Venture Development Corporation aponta a empresa coma pioneira e líder em soluções OOBI (Out-of-Band Infrastructure), capazes de reduzir os custos e riscos operacionais, ao mesmo tempo em que elevam a produtividade dos ativos de TI. Mais de oito mil clientes, incluindo 85% das empresas que compõem o ranking Fortune 100, dependem da tecnologia e serviços da Cyclades.
Parte do sucesso da empresa se deve, porém, à agressiva ação das parceiras. A CNT Brasil, por exemplo, especialista em produtos para conectividade, segurança e Internet, mobiliza um grupo de mais de 25 integradores certificados, habilitados a integrar soluções corporativas da Cyclades para gerenciamento de infra-estrutura de rede. O resultado é fruto do programa, lançado no começo de 2004, com o objetivo de capacitar e certificar especialistas em produtos high-end da marca. "As vendas dessas linhas têm grande sucesso no mercado norte-americano. Entre nossos parceiros há empresas com grande experiência em projetos e ampla carteira de clientes corporativos, capazes de complementar as soluções com os produtos da Cyclades", explica Fany Robles Lupión, diretora comercial da CNT Brasil, estimando, em 2005, crescimento de 20% dos negócios com a linha de soluções OOBI.
Outro selo, no ramo das ferramentas de gestão de TI, é a brasileira Chiptek. A empresa argumenta com os contratos de SLA (Service Leve! Agreement - acordo de nível de serviço) que observam as práticas ditadas pelo ITIL (Information Technology Infrastructure Library) e faz sucesso, conta o diretor de tecnologia, Marcos Oavidiuk. O executivo considera que, no desafio de promover a governança de TI, as empresas já transformaram em padrão as normas contidas no compêndio. A Chiptek, segundo ele, tornou-se marca importante no segmento depois de anos operando na área de serviços de suporte técnico a hardware e software - na qual, hoje, atende cerca de 70 mil usuários e gerencia três mil ativos críticos, o que lhe deu a necessária experiência. A diversificação permitiu-lhe ampliar a carteira de clientes, hoje composta de 180 empresas de diferentes setores da economia. No ano passado, por conta disso, o faturamento alcançou a marca de R$ 42 milhões, traduzindo crescimento de 21 %.
A BMC Software entrou nessa briga a partir de 2001 quando, segundo o gerente de tecnologia, Osmar Koga, a empresa aderiu ao conceito de BSM (Business Service Management, ou gestão de serviços a negócios). Em seguida, comprou a Remedy, autoridade em ferramentas de CRM, helpdesk e gerenciamento de processos. Mas a opção pela governança de TI se reforçou, mesmo, foi com a aquisição da IT Master e da Marimba. "A primeira permitiu à BMC incorporar ao catálogo soluções capazes de medir o impacto dos recursos de tecnologia nos negócios; a segunda agregou a eles ferramentas para inventário e controles, físicos e lógicos, o que permite fazer a chamada sintonia fina, na hora de ajustar os recursos de TI às necessidades do negócio, resgata o gerente de tecnologia”, explica Koga.
Na opinião dele, a governança, provém da segurança da estrutura de TI aplicada aos negócios, além de probidade nos gastos, é imune a chuvas e trovoadas. "Ajuda a evitar as fraudes”, argumenta Koga.
Surpresa com os portais
Menos de um ano após deixar a incubadora Gênesis, da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, a Lumis Tecnologia já tem sua ferramenta de desenvolvimento de portais - O Lumis Portal Suite - adotado por 20 grandes usuários, como Coca-Cola, Fundação Roberto Marinho, Icatu Hartfort, Mongeral, Petrobras, Xerox e a norte-americana El Paso - a maior produtora independente de gás natural dos Estados Unidos e uma das maiores do mundo, com investimentos que, somente no Brasil, em sete anos, já ultrapassam a marca de R$ 6 bilhões -, orgulha-se o sócio-diretor, André Matos.
No crescimento explosivo, segundo ele, a empresa mais do que duplicou a receita registrada em 2001, quando foi criada, para fornecer soluções para a gestão e distribuição de informações, serviços e conhecimento por meio de portais corporativos. O Lumis Portal Suite integra um kit de ferramentas, que, segundo Matos, vem-se destacando no mercado pelo fato de combinar o ambiente de comunicação e de negócios de que as grandes organizações precisam, com a máxima agilidade em termos de desenvolvimento, manutenção e evolução de soluções.
Outro diferencial da solução, ele aponta, é a robustez, que permite à solução atender a um grande número de usuários concorrentes dentro da corporação. Na versão 3.0, recém-lançada, as páginas geradas foram otimizadas, o que tornou o produto capaz de se ajustar às necessidades de cada usuário à medida que elas evoluem. Mais do que isso, ganhou enorme capacidade de organizar e distribuir informações dispersas, fora das bases de dados organizadas, e que, no ambiente das corporações, equivalem a 70% do acervo.
Fonte: Anuário Informática Hoje - 2005