Postagem de um blog

IA na detecção de fricções invisíveis na jornada digital

Time Lumis

Publicado 01/01/2025 3 min leitura

Muitos dos problemas mais críticos da experiência digital não aparecem em relatórios de analytics. Não geram erros, não derrubam páginas e não afetam diretamente o uptime. Ainda assim, comprometem silenciosamente a jornada do usuário. São cliques hesitantes, caminhos interrompidos, buscas repetidas, formulários abandonados sem explicação aparente. Fricções pequenas, mas recorrentes e difíceis de enxergar.

Essas fricções invisíveis representam um dos maiores desafios para equipes que gerenciam canais digitais complexos. Métricas tradicionais ajudam a entender o que aconteceu, mas raramente explicam por que aconteceu. É nesse ponto que a inteligência artificial aplicada à análise comportamental começa a ganhar relevância.

O limite do analytics tradicional

Ferramentas de analytics foram fundamentais para estruturar a gestão digital, mas operam majoritariamente em um modelo descritivo. Elas mostram volumes de acesso, taxas de conversão, páginas mais visitadas e fluxos principais. O problema é que a maioria das fricções acontece entre esses pontos de medição.

Segundo o Nielsen Norman Group, grande parte dos problemas de usabilidade não se manifesta em métricas agregadas, mas em padrões sutis de comportamento, como movimentos repetidos, navegação circular ou hesitação antes de ações simples. Esses sinais, quando analisados isoladamente, parecem irrelevantes. Em escala, indicam falhas estruturais na experiência.

Analytics tradicionais não foram desenhados para identificar esses padrões emergentes.

Fricções comportamentais: o que não aparece no dashboard

Fricções invisíveis são comportamentos que indicam dificuldade, confusão ou esforço excessivo, mesmo quando a jornada é concluída. Um usuário pode completar uma tarefa e ainda assim sair frustrado.

Essas fricções costumam estar associadas a problemas como excesso de informação, rótulos pouco claros, hierarquia visual confusa ou fluxos que exigem decisões desnecessárias. Do ponto de vista do negócio, elas impactam produtividade, satisfação e percepção de qualidade — especialmente em portais corporativos, intranets e áreas de serviço.

Pesquisas do Baymard Institute mostram que muitos abandonos não ocorrem por falhas técnicas, mas por microfrustrações acumuladas ao longo da jornada. O desafio está em detectá-las antes que se tornem um problema maior.

Como a IA amplia a leitura da jornada

A IA aplicada à experiência digital não substitui analytics, mas expande sua capacidade de interpretação. Em vez de analisar eventos isolados, algoritmos conseguem observar sequências de comportamento, identificar desvios de padrão e detectar correlações que não são evidentes para análises manuais.

Modelos de machine learning podem, por exemplo, identificar quando usuários percorrem caminhos mais longos do que o esperado para concluir uma tarefa, quando repetem ações sem sucesso ou quando abandonam e retornam várias vezes ao mesmo ponto da jornada. Esses sinais indicam fricção, mesmo que não haja queda imediata em métricas clássicas.

Segundo estudos do MIT Sloan Management Review, organizações que utilizam IA para análise comportamental conseguem identificar problemas de experiência mais cedo, reduzindo o custo de correção e melhorando a eficiência das equipes digitais.

ia-na-deteccao-de-friccoes-invisiveis-na-jornada-digital-meio.png

Do dado bruto ao insight acionável

Um dos maiores ganhos da IA nesse contexto está na capacidade de transformar grandes volumes de dados comportamentais em insights acionáveis. Em vez de dashboards extensos, as equipes passam a trabalhar com hipóteses mais claras sobre onde a experiência está falhando.

Isso muda a dinâmica da evolução digital. Em vez de depender apenas de testes extensivos ou pesquisas pontuais, torna-se possível observar continuamente a jornada real e priorizar ajustes com base em evidências comportamentais.

A Accenture destaca que empresas orientadas por insights comportamentais conseguem alinhar melhor experiência e eficiência operacional, especialmente em ambientes digitais de alta complexidade.

Fricções invisíveis e produtividade digital

Em canais corporativos, as fricções invisíveis não afetam apenas conversão ou engajamento externo. Elas impactam diretamente a produtividade digital, especialmente em intranets e portais internos. Um colaborador que demora mais para encontrar informações ou concluir processos gera custo operacional, mesmo que a tarefa seja concluída.

A IA ajuda a revelar esses pontos de atrito ao analisar padrões de uso em escala, algo inviável por observação manual. Isso permite que equipes atuem de forma mais precisa, corrigindo causas estruturais em vez de sintomas superficiais.

IA como apoio à análise, não como oráculo

É importante reforçar que a IA não “entende” a experiência sozinha. Ela identifica padrões, anomalias e correlações, mas a interpretação continua sendo humana. Designers, times de conteúdo e gestores de canais são responsáveis por transformar esses sinais em decisões conscientes.

Relatórios da PwC sobre adoção de IA em operações digitais mostram que os melhores resultados surgem quando algoritmos são usados como apoio analítico, integrados a processos de melhoria contínua e não como substitutos do olhar crítico.

Conclusão

Fricções invisíveis representam um dos maiores obstáculos à evolução da experiência digital. Elas não quebram sistemas, mas desgastam jornadas. Não aparecem em métricas óbvias, mas afetam diretamente valor, eficiência e percepção do usuário.

A IA aplicada à detecção dessas fricções amplia a capacidade das organizações de observar a jornada real, indo além dos limites do analytics tradicional. Ao identificar padrões comportamentais sutis, torna-se possível agir de forma mais preventiva, precisa e orientada à experiência.

Em ambientes digitais cada vez mais complexos, enxergar o que não é óbvio deixa de ser vantagem, passa a ser necessidade.

Você também vai gostar de ler

Receba conteúdos exclusivos

Insights sobre DXP, inteligência artificial e experiências digitais, com curadoria dos especialistas da Lumis.

Um pouco do nosso conteúdo

  • Como personalizar jornadas digitais com inteligência artificial
  • O que é uma DXP e por que sua empresa precisa de uma
  • Formas de reduzir o tempo de publicação de portais com low-code